Crônicas

Os influenciadores

Quem influencia você?

Essa pergunta, feita há uns vinte ou trinta anos, teria como resposta muitas pessoas: pais, professores, escritores, jornalistas, grandes ícones da música e da atuação, enfim, homens e mulheres que tinham algo a dizer. E diziam!

Hoje, essa mesma pergunta oferece como resposta as redes sociais. Geralmente, toda regra tem a sua exceção, as pessoas que influenciam não têm nada a dizer. Mas dizem! Eis o problema!

Este o grande drama da sociedade em frangalhos da pós-modernidade. Indivíduos que não possuem estudo, tempo, maturação, experiências e lastro para falarem sobre algo, falam assim mesmo. E se dão a importância de autoridades no assunto (seja qual for).

E tudo piora quando, mesmo à luz da ciência, de dados, de comprovação e pesquisa, os ditos influenciadores contestam, negam, se rebelam!

Não há argumento! Não há lógica! Apenas esperneio e performance! Negacionismo!

Os influenciadores vendem fórmulas de sucesso para todas as áreas da vida! Ensinam como viver, mas não vivem a vida real!

Os influenciadores ostentam carrões, mansões, bebidas, luxo, sexo, lugares paradisíacos e um sem-número de ilusões!

Os influenciadores vendem jogos como doces armadilhas! Tudo parece fácil, simples e direto! Você que não segue se sente um idiota de não ter visto, ouvido e aplicado antes o passo a passo iluminado!

Quem influencia você?

Quem influencia tem experiência sobre o assunto para falar sobre isso? Estudou, leu, pesquisou, escreveu, ponderou, anotou, perdeu noites de sono, enfim, viveu o chamado processo?

Se quem influencia não viveu processo algum, não respeita o tempo de maturação das coisas e das ideias.

Se não respeita o tempo de maturação, simplesmente, não tem autoridade para falar sobre nada!

O que é um influenciador então?

Guardadas as devidas e honrosas exceções, os influenciadores são os idiotas que não têm vergonha de sua ignorância e querem espalhá-la aos quatro cantos!

Que saudade de Drummond, Chico, Milton Nascimento.

Que saudade de Chaplin, Clarice, Cecília…

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Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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